O primeiro beijo



Eu desviei
Assim, como quem trilha em cima de bicho selvagem
Subitamente enguiça a rédia em direção contrária
Tentativa frustrada de domar um desejo sem cela, veja bem
Como se os desejos fossem domesticáveis

Mas bem enquanto eu adormecia
Naquele entreato entre sono e vigília
(E engraçado que foi perto do sonho,
onde todos os desejos se tornam possíveis)
Desperto pelo tato dos teus dedos contornando meus lábios
Tal como pintor que desliza os seus em uma tela branca
Que logo preencherá de cor

Eu nem mesmo abri meus olhos
Embora tenha descerrado em intensidade tal
Que vi tão claro
Inevitável, como a sucessão dos dias
Dos fluxos, dos ímpares naturais, das tempestades
Das estações

E sim, foi o mais bonito
Não apenas das nossas vidas
Mas de todos os primeiros beijos

No entanto,
E apesar da indissolubilidade do momento
Foi naquele segundo antecessor
Antes do tocar dos lábios
Com nossas auras entrelaçadas
Em meio a sinfonia que se compunha
Pela respiração partilhada e tão próxima
Que alguma marca se fez nessa alma minha
E imortalizou assim

3 comentários:

  1. Quem dera sentir.
    Algo do gênero.
    Quem dera.
    Felizes, os amantes.
    E feliz do rapaz acima.

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